Quando estive em Montevidéu, Uruguai, me chamou atenção o Palácio Salvo, um edifício em estilo eclético e com uma torre que me lembrava de certo modo cenas de foguetes de Flash Gordon.
Fiz uma visita guiada, quando um guia nos conta a história do edifício. Durante a visita podemos chegar o mirante no topo da torre e também em um terraço mais baixo, de onde se tem belas vistas de Montevidéu. Este emblemático edifício possui também inúmeras curiosidades.
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| Torre do Palácio Salvo em Montevidéu |
O Palácio Salvo é o mais importante e chamativo ícone arquitetônico de Montevidéu, localizado na principal praça da cidade, a Praça Independência, onde situa-se também o antigo e o novo edifício da Presidência da República.
Possui estilo eclético e fantasioso, fazendo alusão a diferentes períodos da história da arquitetura como diferentes estilos arquitetônicos. Em sua cúpula, existe referencias à arquitetura indiana. Mas eu por exemplo, vejo também um inspiração futurista na cúpula mais alta, com alguns "foguetinhos" ao estilo Flash Gordon.
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| Palácio Salvo na Praça Independência em Montevidéu |
Foi inaugurado em 1928, e desde sua inauguração, até o ano de 1935, o Palácio Salvo já foi o edifício mais alto das Américas. Em 1935 o Edifífico Kavanagh em Buenos Aires tornou-se o mais alto naquela época.
Possui 105 metros de altura, em estilo eclético, projetado pelo arquiteto italiano
Mario Palanti, estabelecido na época em Buenos Aires. Foi construído com a tecnologia da empresa alemã Dyckerhoff & Widmann, pois não havia empresas com no Uruguai naquele época para obras de tal envergadura.
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| Palacio Salvo | Fachada eclética com arcadas |
Na verdade, dois edifícios quase gêmeos em muitos aspectos foram construídos, seguindo projeto do mesmo arquiteto, o Palacio Salvo em Montevidéu e o Palácio Barolo em Buenos Aires, na Rua de Mayo.
Os palácios possuíam no topo, além de mirante um farol com espelhos refletores, que segundo a concepção idealizada pelo arquiteto, cada um deveria projetar um feixe de luz, feixe este que por sua vez deveriam encontrar-se sobre o Rio da Prata, unindo assim as duas capitais. O arquiteto Palanti concebeu ambos os edifícios como Colunas de Hércules, gerando um portal imaginário de luz sobre o Rio de Prata.
Entretanto, a distância era enorme, e os feixes de luz jamais se encontraram.
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| Arcadas, interior do mirante, fachada e torre do Palácio Salvo |
No local do Palácio Salvo, existiu anteriormente o Café La Giralda, onde em 1916 foi tocado pela primeira vez o tango La cumparsita. A confeitaria foi demolida para dar lugar ao arranha céu.
Segundo Mario Palanti, o Palácio Salvo e Barolo eram uma versão latina dos arranha céus que proliferavam em Nova York. Analogias e referências a Divina Comédia de Dante Alighieri estão presentes tanto no Palácio Salvo como no Palácio Barolo de Buenos Aires.
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| Plaza Independência vista da torre do Palácio Salvo |
O edifício foi bastante criticado em sua época por alguns críticos adeptos da vertente modernistas, que o chamavam de projeto retrógrado. O vociferante Le Corbusier foi um dos que dispararam sua metralhadora giratória contra o projeto quando este passou pelo Uruguai. Segundo dizem, este disse à alunos de arquitetura que o edifício merecia ser derrubado. Felizmente Le Corbusier tinha apenas uma metralhadora verbal, e o edifício ficou de pé com um monumento fantasioso, em contrapartida à monotonia purista do funcionalismo cúbico e racionalista pregado por Corbusier, que tornou o panorama das cidades do século 20 extremamente enfadonho. Salve ou viva o Palácio Salvo!
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| Praça Independência em Montevidéu vista do Palácio Salvo |
O edifício funcionou como um hotel, de acordo com o projeto inicial até meados da década de 1970, quando então foi transformado em um condomínio residencial.
Inicialmente os elevadores não chegavam até o final da torre mais alta. Para chegar até o topo da torre era preciso subir 10 andares de escada. E os apartamentos que ficavam nesta torre, também tinham que ser alcançados de escada. Posteriormente foram acrescidos pequenos dois pequenos elevadores para acessar todos os andares da torre.
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| Torre do Palácio Salvo vista do Mirante da Prefeitura de Montevidéu |
A família Salvo comprou o terreno em 1922 e empreendeu a construção do hotel. Um dos proprietários foi assassinado após uma discussão, muito tempo após a inauguração, quando o edifício ainda funcionava como hotel. A discussão aconteceu em grande hall de elevadores, em um dos andares do edifício. Diz a lenda, ou quem sabe verdade, o fantasma do empreendedor deste então tem sido avistado naquele mesmo local.
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